“A experiência de 1808 e a seguir da guerra mudaram Portugal. A fuga do rei para o Brasil e o colaboracionismo da Igreja, da nobreza e da magistratura enfraqueceram irremediavelmente o antigo regime. A ausência da maioria dos «grandes» na revolta de 1808 abalou para sempre o seu poder e o seu prestígio. Apesar da insignificância do papel da «burguesia» durante a crise e do triunfo ideológico «do trono e do altar», parte do pessoal das juntas e do exército de Beresford chegou a 1814 decidida a não voltar à paz podre de 1807. Nele se veio a recrutar a «classe dirigente» do «liberalismo» português.
Valente, Vasco Pulido, Ir prò Maneta. A Revolta contra os Franceses (1808), Lisboa, Alêtheia Editores, 2007, p. 108-109.





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