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21 de julho de 2022

Maus velhos hábitos

 “Após 1945, o preconceito, fosse na sua forma europeia tradicional de antissemitismo  ou em variantes mais imperiais, era desconsiderado. Durante muito tempo depois da guerra, a Europa  Ocidental foi um palco privilegiado no qual a linguagem racista era malvista, onde não havia partidos extremistas, o direito de asilo era amplamente reconhecido e aquele passado, a história recente de discriminação, exploração e extermínio, veementemente rejeitado. Que isto era uma transformação, pode ser confirmado por qualquer comparação com, por exemplo, a imprensa e a literatura dos anos 30, tanto em França e na Bélgica, como na Itália ou na Alemanha. Foi tanto mais fácil de levar a cabo porque estava perfeitamente em conformidade com a autoimagem da «nova Europa», que assim parecia praticar na sua política de porta aberta aquilo que parecia pregar nas suas convenções legais. Mas teve um fim embaraçosamente abrupto quando os políticos de todos os quadrantes se esgadanharam para reconquistar a iniciativa política aos demagogos anti-imigrantes, autorizando assim, implicitamente, o início de um regresso aos maus velhos hábitos.”

Judt, Tony, Uma Grande Ilusão? Um Ensaio sobre a Europa, Lisboa, Edições 70, 2012, pp. 106-107.


Fight Racism
early 1980s

17 de janeiro de 2022

Um filósofo

“Porque um filósofo não deve ver as coisas com os olhos dessa criatura pobre e limitada que a si próprio se intitula homem de sociedade, cheio de preconceitos mesquinhos e egoístas a respeito do nascimento e da educação; deve antes considerar-se uma criatura católica e dar-se igualmente com os que estão no cimo e com os que estão na base, com os que tiveram educação e com os que não a tiveram, com os culpados e com os inocentes.”

Quincey, Thomas de, Confissões de um opiómano inglês, s. l., Alfabeto, 2011, p. 49.

Philosophe au livre ouvert
Salomon de Koninck
2e quart du XVIIe siècle (1640-1650)